Racismo no Futebol: Preconceito não é página virada no Brasil; país vive ‘falsa democracia racial’ – Proposta de Redação ENEM

Texto 1

Membros de torcida organizada do Grêmio cantaram música com teor racista, mas foram vaiados pela maioria dos gremistas na Arena

Após torcedores chamarem o goleiro Aranha, do Santos, de macaco na quinta-feira, o Grêmio fez um trabalho com adesão da maioria dos torcedores para não ser considerado racista e evitar a exclusão na Copa do Brasil em julgamento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Mas, neste domingo, ainda foi possível ouvir o termo depreciativo durante a vitória sobre o Bahia no estádio do clube gaúcho. No confronto, foi possível ouvir da arquibancada norte o cântico “chora, macaco imundo”, tradicional provocação da organizada Geral do Grêmio contra o Inter. A maioria dos presentes vaiou a música, e a repetição do tema racista indignou o presidente Fábio Koff. (…) “É uma tristeza, uma aberração. Não basta só no futebol, mas a nação, o Governo tem que fazer alguma coisa para acabar com essa bobagem. Através de campanhas em escolas, não só com pronunciamentos”, cobrou o técnico Luiz Felipe Scolari, reforçando o discurso da diretoria.

Texto 2

Ultimamente, temos visto de forma lastimosa manifestações de explícito racismo no futebol nacional e internacional. O racismo por si só é abominável sob qualquer ótica. Todavia, quando presenciamos esta prática de forma a demonstrar uma total falta de constrangimento, pública, a situação torna-se, se é que isso é possível, pior.

Um estádio de futebol é um lugar por excelência de diversão, de congraçamento, de festa. Um lugar onde se busca, coletivamente, o distanciamento das durezas do dia-a-dia. Onde ocorre uma liberdade às exigências do mundo do trabalho e das obrigações que o difícil cotidiano urbano impõe.

Recentemente, o volante Tinga, do Cruzeiro, e o árbitro Márcio Chagas, foram vítimas de insultos racistas o que mais uma vez indignou a sociedade e a grande maioria dos torcedores. Por outro lado, as manifestações racistas que ocorreram nos campos de futebol revelam que o Brasil ainda encontra-se longe de eliminar de vez a prática racista, o antes chamado de racismo velado, e, agora, desmascarada democracia racial brasileira.

Que impressionante o que acontece com o Brasil! Os nossos grandes ídolos do futebol, em sua maioria são negros. Desde Leônidas até o Rei Pelé! Que contradição: nos primeiros tempos do futebol brasileiro, o jogador era considerado uma pessoa menos qualificada na escala social brasileira. Geralmente era negro ou mestiço, de origem simples e de pouca escolaridade. Contudo, este mesmo grupo de pessoas antes discriminada pela ―boa sociedade‖ era quem tinha o maior poder de lançar o apático Brasil nas manchetes internacionais de forma positiva.

O racismo manifesto hoje nos estádios de futebol é o mesmo que é sentido pelos negros, que são vítimas, todos os dias, de olhares de indiferença e de desconfiança, de salários menores, de piadas jocosas e de uma pressão gigantesca de ter que provar, mais do que qualquer outro cidadão, que são bons e honestos profissionais.

Para quem sofre o preconceito não existe nada velado. A dor e a humilhação é ferimento exposto. É sangue que corre e morte nos seus mais variados sentidos. Lato sensu, quem é diminuído nas manifestações de racismo é toda a sociedade, que foge ao puro conceito de civilização. (Por Vanilo de Carvalho

Texto 3

O racismo presente no esporte é o mesmo presente na sociedade brasileira, desde sempre. O Brasil traz uma herança escravista muito forte. O que tem ocorrido mais recentemente é que esses atos têm sido levados a público com mais frequência – afirma o pesquisador Manuel Alves Filho, do Grupo de Estudos e Pesquisas de Futebol da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
– O futebol não é, como alguns acreditam, um domínio no qual exista democracia racial. Isso é um mito. Prova disso é que os negros estão sub-representados nas esferas de poder do esporte. São pouquíssimos os afrodescendentes que ocupam funções de dirigentes ou técnicos. Aos negros estão reservadas funções dentro de campo, onde as suas alegadas habilidades físicas são aceitas e até elogiadas, mas com uma carga ideológica clara. Ou seja, a mensagem subliminar é a seguinte: lugar de negro é no campo de jogo e somente nele – complementa. (Manuel Alves Filho, do Grupo de Estudos e Pesquisas de Futebol da Unicamp)

Com base nos textos motivadores redija um texto dissertativo-argumentativo acerca do tema:

Racismo no Futebol: Preconceito não é página virada no Brasil; país vive ‘falsa democracia racial’