Emprego correto do oblíquo átono como sujeito

Amigo leitor,

Hoje, conversarei com você sobre o emprego correto do pronome oblíquo átono como sujeito do infinitivo. Nesse caso, não se deve fazer uso dos pronomes do caso reto como EU, TU, ELE, NÓS, VÓS, ELES.

Os pronomes oblíquos átonos, em alguns casos, podem exercer a função de sujeito. Chamamos de sujeito do acusativo ou apenas do sujeito do infinitivo. Você, amigo leitor, poderia até perguntar:  por que sujeito do acusativo? Explicar-lhe-ei. Na construção frasal, o pronome oblíquo átono faz parte do objeto direto (oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo). O que chamamos de objeto direto, no latim, denomina-se acusativo; assim como o objeto indireto é o dativo; o sujeito e o predicativo  são o nominativo; o adjunto adnominal é o genitivo; o adjunto adverbial é o ablativo. No português, há a função sintática; no latim, os casos.

Pois bem, vamos agora entender o pronome oblíquo átono como sujeito do infinitivo ou sujeito do acusativo. Verifiquemos as frases abaixo:
Mandou-me rever o trabalho.
Deixo-te analisar o conteúdo do texto.
Não o fiz repetir  o enunciado.

Os verbos que compõem a oração principal, nos três exemplos, são chamados de causativos. Os que compõem a oração subordinada se encontram no infinitivo. Nesses casos, não se deve fazer uso dos pronomes do caso reto, nem classificar o oblíquo como objeto. Apenas faz parte do objeto (oração com valor de objeto direto da principal), mas exerce a função de sujeito. As orações subordinadas encontram-se reduzidas. O pronome passa a exercer a função de sujeito da forma verbal reduzida de infinitivo.

Para percebermos melhor, desenvolvamos as orações reduzidas. Veja como ficariam:
Mandou que eu revisse o trabalho
Mandou – ORAÇÃO PRINCIPAL, com sujeito elíptico (ELE)
que eu revisse o trabalho – ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA OBJETIVA DIRETA, com sujeito EU da forma verbal REVISSE. A diferença ocorre pelo simples fato de uma vir reduzida e a outra desenvolvida. A desenvolvida pode trazer o pronome do caso reto como sujeito, mas a reduzida não. Verifiquemos as duas outras orações desenvolvidas:
Deixo que tu analises o conteúdo
Deixo – ORAÇÃO PRINCIPAL
que tu analises o conteúdo – ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA OBJETIVA DIRETA, com o sujeito TU da forma verbal ANALISES.
Não fiz que ele repetisse o enunciado.
Não fiz – ORAÇÃO PRINCIPAL
que ele repetisse o enunciado – ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA OBJETIVA DIRETA, com o sujeito ELE da forma verbal REPETISSE.

Assim como acontece com os verbos CAUSATIVOS, ocorre também com os verbos SENSITIVOS
Viram-nos entrar na sala de mansinho.
Ninguém vos ouviu falar sobre este assunto.
Sentiu-se amar um facínora. Nunca que imaginaria isso ocorrer.

 

Nos exemplos, os oblíquos NOS, VOS, SE exercem a função de sujeito das formas verbais respectivas ENTRAR, FALAR, AMAR.

RESUMINDO
Os pronomes oblíquos átonos poderão exercer a função de sujeito do infinito quando o verbo que compuser a oração principal for um CAUSATIVO ou um SENSITIVO.  

Verbos Causativos
MANDAR – DEIXAR – FAZER
Verbos Sensitivos
VER – OUVIR – SENTIR

LEMBRETE 1
Não se pode usar os pronomes  do caso reto, nessas condições, como sujeito. Portanto, ficam erradas as frases que assim sejam produzidas:
MANDEI ELE FICAR CALADO (forma errada)
DEIXE EU ESCREVER O LIVRO (forma errada)
ELA VIU NÓS ENTREGAR O LIVRO (forma errada)
As formas corretas seriam:
MANDEI-O FICAR CALADO
DEIXE-ME ESCREVER O LIVRO
ELA NOS VIU ENTREGAR O LIVRO

LEMBRETE 2
Mesmo que o oblíquo átono esteja no plural, não deve a forma verbal do infinitivo se flexionar. Deverá continuar no singular.
Fizemo-las contar toda a verdade.

Se houver, em vez do pronome oblíquo átono, o substantivo no plural, a flexão do verbo será facultada.
FIZEMOS AS MOÇAS CONTAR TODA A VERDADE
FIZEMOS AS MOÇAS CONTAREM TODA A VERDADE

É isso aí
Bons estudos
Até o próximo artigo


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Depoimentos

  • Davi Emanuel

    Grande professor e amigo Marcelo Braga, grato estou por seus imensuráveis ensinamentos, gerando-me excelentes notas de redação nos vestibulares por mim prestados (60 pontos na UECE e 960 pontos no ENEM.

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  • CAROLINA

    Professor Marcelo,

    As preciosas lições aprendidas em suas aulas e em suas correções de redação foram fundamentais para que eu obtivesse a nota máxima na prova do Tribunal Regional...

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  • Daniel Cristiano Fuman
    Há vários anos, presto concursos públicos, já tendo trabalhado em alguns órgãos como IBGE e INSS. Desde quando estava me preparando para o concurso de Técnico Judiciário do TRT-RS, em 2003, percebi a dificuldade de morar no interior e estar distante de bons cursos preparatórios.

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  • Carlos Manoel
    Professor, só para lhe agradecer pela centésima vez. Passei em outro concurso. Depois de passar para auditor SP, acabei de receber a notícia que passei para auditor em BH. Novamente por conta da "sua redação"!!!!!!

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  • Adriana Castro Araújo
    Grande Professor Marcelo Braga! Obrigada pelas aulas fantásticas de redação (pela dedicação e paciência também) que me levaram a conquistar a nota máxima na prova discursiva do Ministério da Fazenda realizada pela ESAF. 

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